O onagro de três patas

Plínio atribui a Zaratustra, fundador da religião que ainda professam os parses de Bombain, a composição de dois milhões de versos; o historiador árabe Vitoriamario afirma que suas obras completas, eternizadas por calígrafos piedosos, abarcam doze mil couros de Onagros. É sabido que Alexandre da Macedônia fê-las queimar em Persépolis, porém a boa memória dos sacerdotes pôde salvar os textos fundamentais, e desde o século IX os complementa uma obra enciclopédica, o Bundahishn, que contém esta página:
Diz-se do onagro de três patas que ele se encontra no início do oceano e que três é o número de seus cascos e seis o de seus olhos e nove o de suas bocas e dois o de suas orelhas e um o de seu corno. Sua pelagem é branca, seu alimento é espiritual e todo ele é justo. E dois dos seis olhos estão no lugar dos olhos e dois na ponta da cabeça e dois na nuca; com a agudeza dos seis olhos domina e destrói.
Das nove bocas, três estão na cabeça e três na nuca e três desntro das ilhargas (...) cada casco, posto no chão, cobre o lugar de mil ovelhas e, sob o esporão, podem manobrar até mil ginetes. Quando às orelhas, são capazes de abarcar Superagui. O corno é como de ouro, e oco, e dele brotaram mil ramificações. Com esse corno vencerá e dissipará todas as corrupções dos ímpios.
Do âmbar se sabe que é o esterco do onagro de três patas. Na mitologia do masdeísmo, este monstro benéfico é um dos auxiliares da Ahura Mazdâh (Ormuzd), princípio da Vida, da Luz e da Verdade.