{ Matema }

Embrião

Para explicar os fluxos e mecanismos da linguagem humana sem estar contaminado por sua carga semântica, o psicanalista Jacques Lacan utilizava-se de equações e "grafos" aos quais referia-se como MATEMAS (termo que condensa o"mitema" de Lévi-Strauss e "mathêma", palavra grega que significa connhecimento).

Sinapse

MATEMA é álgebra assim como música é estrutura, assim como poesia é letra sobre papel. É ciência pura infiltrando-se nos ritos de catarse. Onde a subjetividade deseja ao máximo a demanda do objeto. Onde a explosão de sentido empírico gera a { ilusão (?) / certeza (?) } de unidade. Onde o 1 se une ao 0 para formar para sempre um novo significado para 10 ( isto pode não ser dez).

{ Ceci n’est pas [ (Der Weltseele) aqui agora ] Am I YoU? }

MATEMA propõe a transcodificação de toda e qualquer percepção cognitiva, bem como fluxos neurais imaginários, em um vórtice de ondas inarmônicas, puros ciclos senoidais no microcosmos dos arquétipos do som e fúria.

Trata-se do próprio intonarumori bioconcreto profetizado por Russolo em 1913, percorrendo dos perturbados sintomas dissonantes do pós-rock ao racionalismo numérico tecnológico da música eletroacústica. Trabalhando desde o determinismo absoluto dos algoritmos até o jogo de azar onde se esconde o sujeito da palavra "sentimento".

A resultante desta complexa equação com n variáveis é uma simbiose, um dilema de transubstanciação da forma em tempo. Neste plano, a matéria passa a ser simultaneamente organizada e desorganizada na pulsão do inextrincável.

Ao estado das palavras e das coisas MATEMA é incisivo. Como ativismo político enuncia sua colaboração na desconstrução dos mecanismos de poder vigentes, instigando a criação de novos signos profiláticos à virulenta síndrome da alienação. Com instrumentalização catártico-poética vem operar diretamente na psique do humano, exato ponto onde os tabus se desmoronam.

{
enquanto
MATEMA = aquilo que é enquanto sempre foi ;
MATEMA = MATEMA / MATEMA * MATEMA ;
enquanto enquanto
}

exemplo: PROGRAMA DA REVOLUÇÃO MOLECULAR

(Telegrama - Máquina I)

MATEMA número MATEMA

Não considerar o desejo uma superestrutura subjetiva que fica pisca-piscando.
Fazer o desejo passar para o lado da infra-estrutura, da família, do ego e a pessoa para o lado da antiprodução.
Abandonar uma abordagem do inconsciente pela neurose e a família, para adotar aquela, mais específica dos processos esquizofrênicos, das máquinas desejantes.
Renunciar à captura compulsiva de um objeto completo simbólico de todos os despotismos.
Desfazer-se do significante.
Deixar-se deslizar pelos caminhos das multiplicidades reais.
Parar de ficar reconciliando o homem e a máquina: sua relação é constitutiva do próprio desejo.
Promover uma outra lógica, uma lógica do desejo real, estabelecendo o primado da história relativamente à estrutura. Promover uma outra análise, isenta do simbolismo e da interpretação, e um outro militantismo, arranjando meios para libertar-se por si mesmo das significações da ordem dominante.
Conceber agenciamentos coletivos de enunciação que superem o corte entre sujeito da enunciação e sujeito do enunciado.
Ao fascismo do poder opor as linhas de fuga ativas e positivas que conduzem ao desejo, às máquinas de desejo e à organização do campo social inconsciente.
Não é fugir, você próprio, "pessoalmente", dar o fora, se mandar, mas afugentar, fazer fugir, fazer vazar, como se fura um cano ou um abcesso.
Fazer os fluxos passarem sob códigos sociais que querem canalizá-los, barrá-los.
A partir das posições de desejo locais e minúsculas, pôr em cheque, passo a passo, o conjunto do sistema capitalista.
Liberar os fluxos, ir longe no artifício, cada vez mais.